Margarida Alves


Margarida Alves shows

Lusco Fusco

Uma conversa de café dentro do estúdio.

Já fugi de microfones. Saía furtivamente do local onde estivesse se os avistasse a poucos metros de distância. Corria tão rápido como uma criança aborrecida dentro de uma loja de um centro comercial. Sim, arrependi-me de o fazer também. Ao mesmo tempo, dançar e cantar com artistas de rua parecia-me perfeitamente normal e dentro da minha pequeníssima zona de conforto. Não conseguia pronunciar o meu nome quando era pequena – apresentava-me como “Lálálida” ao invés de Margarida. Brincar com purpurinas era algo bastante habitual e limpar-me na toalha de um adulto também. Parece-me que todos os homens de meia idade gostam de chegar ao trabalho com a cara a brilhar. Purpurinas tão cor de rosa que gritam liberdade. Agora, gosto de acreditar que esse foi o meu primeiro passo na luta contra o patriarcado. Criança astuta. Continuei a escapar-me sempre que vislumbrava um microfone. Pedi a um colega para trocar de lugar comigo no coro, inclusive. Encará-los parece-me agora a única forma de poder mudar o mundo, ainda que seja com a voz trémula ou com alguns cortes no Audacity. No fundo, a culpa é toda de quem criou as crocs por terem traumatizado uma geração.

Curso: Jornalismo

Maior Sonho: Ter escrito a série “Pôr do Sol” ou trabalhar na área de direitos humanos

Maior Medo: Viver em ditadura

Duas músicas: “Reconvexo”, de Caetano Veloso e “Ninguém é Quem Queria Ser”, dos Foge Foge Bandido

Um livro: “Nem Todas as Baleias Voam”, de Afonso Cruz

Programa/podcast que recomendarias ao teu locutor/podcaster preferido: “Rabbit Hole”, do jornalista Kevin Roose



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