Escrever para ficção

Written by on Novembro 9, 2018

Escrever para ficção
Autor: Serviço de Comunicação da ESCS
Conteúdo retirado automaticamente da página institucional da Escola Superior de Comunicação Social
Ver fonte

Publicado: 09 novembro 2018

PERFIL AM: Guilherme Trindade

Guilherme Trindade é licenciado em Audiovisual e Multimédia. Após concluir o curso, passou pela Academia RTP e produz, ocasionalmente, conteúdos para o canal público de televisão, ao mesmo tempo que estabelece uma carreira como game designer.

Escritor, produtor, realizador, game designer. Ao longo do seu percurso, Guilherme Trindade tem vindo a desenvolver várias atividades ligadas à escrita para ficção. Já fez banda desenhada e teve contos publicados. Faz curtas-metragens e séries e viu o seu nome nos créditos de conteúdos transmitidos na RTP, obras às quais vai “buscar a [sua] satisfação criativa”. Paralelamente, trabalha como game designer, na Miniclip.

Guilherme Trindade é licenciado em Audiovisual e Multimédia.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

Escrita para audiovisual

O escsiano gosta de escrever conteúdos para ficção.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

No 12.º ano, Guilherme queria ser ator. Não entrou no Conservatório Nacional, mas gostava de escrever, por isso, candidatou-se a Jornalismo, em 2004. A meio do primeiro ano, percebeu que o curso “não era bem para [si]”, devido ao seu gosto por escrita para ficção. Como frequentava unidades curriculares de tronco comum com os estudantes de Audiovisual e Multimédia (AM) e tinha amigos da área, mudou para AM, área na qual pôde explorar a sua aptidão e as outras vertentes ligadas ao meio audiovisual. “Sempre gostei de televisão, cinema e ficção”, explica.

Fomentar conhecimento nas extracurriculares

No decorrer da licenciatura, o antigo estudante fez parte da organização da Festa do Frame, “um espetáculo de variedades com uns sketches e momentos musicais”, esteve no já extinto grupo de teatro da Escola, o 2.º a Circular, e participou na edição de 2010 dos Commie Awards.

Guilherme participou na edição de 2010 dos Commie Awards.
Fotografia gentilmente cedida por Guilherme Trindade.

Entre atividades, começou, com os colegas Bruno Garcez, João Martins e Sérgio Deuchande, o projeto humorístico Segue-se o Gratuito, que veio a ser integrado, em forma de rubrica, no programa de televisão da ESCS. “Propusemos e, na altura, a produtora, Élia Rodrigues, [e os docentes] que estavam a gerir o E2 também gostaram da ideia. Escrevíamos, interpretávamos, filmávamos e captávamos som”, recorda. Recentemente, o formato foi recordado nas comemorações do 400.º episódio do programa.

Paralelamente, desempenhou, ainda, funções em outras áreas. “Acabei por filmar, fazer entrevistas, edição. Íamos a festivais, tivemos contacto com uma série de realidades, para além dos próprios eventos da ESCS, o que foi bastante formativo”, conta.

Em 2011, foi convidado para regressar à Escola como Produtor do programa. Para além da cobertura de eventos, o escsiano diz que procurou “dar aos estudantes coisas que eles quisessem fazer”.

O antigo estudante destacou-se no E2, sendo convidado, mais tarde, para assumir o cargo de Produtor do programa.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

Academia RTP

Na Academia RTP, Guilherme foi co-argumentista e realizador do filme Offline.
Fotografia gentilmente cedida por Guilherme Trindade.

Em 2015, concorreu, com o amigo João Harrington Sena, à terceira edição da Academia RTP, com “uma espécie de paródia da série Power Rangers”, intitulada Os Cavaleiros do Panteão.  Apesar de o episódio piloto não ter avançado, a equipa foi integrada no grupo do filme Offline. Se, inicialmente, foram solicitados para desenvolver o argumento, Guilherme acabou por ser convidado, também, para assumir a função de realizador. Quando foi exibida no canal público de televisão, a emissão ficou em segundo lugar nas audiências e foi vista por mais de cem mil pessoas. “Estou orgulhoso. Teve uma receção interessante, também na internet”, conta.

O antigo estudante explica que a Academia RTP “funciona como uma bolsa de formação”, onde os participantes têm workshops com profissionais da área, à medida que vão desenvolvendo os seus projetos. “A maior coisa que trazemos de lá não é dinheiro. É um nome ligado a uma obra, por isso, é bom que seja boa e que nos possamos orgulhar dela”, defende.

Uma série vencedora

Devido ao Offline e à escsiana Élia Rodrigues, que é, agora, responsável de conteúdos multimédia da RTP, Guilherme foi convidado a propor conteúdos para o canal. “Juntei-me com o Sena, arranjámos três ou quatros pitches diferentes e preparámos as apresentações”. Antes da reunião com os responsáveis, pensou em fazer uma série interativa, com uma aplicação “tipo Tinder” associada, na qual o público decidia os encontros. A ideia formalizou-se, no início de 2017, na série online Appaixonados.

Parte da equipa da série Appaixonados.
Fotografia gentilmente cedida por Guilherme Trindade.

No final de 2016, a equipa tratou da aplicação e dos vídeos de apresentação das personagens.  O resultado foi lançado a 14 de fevereiro (Dia dos Namorados), um “timing bem pensado”, precedido por doze semanas “intensas” de gravações, que dependiam sempre das escolhas dos espetadores. “As pessoas votam na app, nós fechamos os resultados na quinta, de quinta para sexta, inclusive, escrevemos o episódio, mandamos aos atores, no sábado filmamos e no domingo editamos”, conta Guilherme.

A série foi distinguida na competição PRIX Italia.
Fotografia gentilmente cedida por Guilherme Trindade.

Em setembro, o escsiano viajou até Capri para a cerimónia de entrega de prémios da competição PRIX Italia, na qual a série foi distinguida na categoria de Web Entertainment. Guilherme conta que a mesma já tinha sido destacada no festival MIPTV, “o que ajudou a vender o conceito ao júri”. No discurso de agradecimento, o jovem agradeceu às suas duas famílias, “a que me criou e a do Appaixonados, que me aturou durante aquele tempo. O realizador tem sempre um trabalho ingrato, de ser o pai”, conta. No entanto, “[o grupo percebe] que há um trabalho para fazer. Divertimo-nos muito e conheci pessoas incríveis com quem quero trabalhar outra vez. Foi muito recompensador”, completa. De referir que a equipa técnica da série foi maioritariamente composta por escsianos.

MOTELX

Em 2017, Guilherme teve, ainda, em parceria com João Harrington Sena, uma curta-metragem selecionada para o MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. O escsiano conta que uma das suas “maiores experiências” foi ver “centenas de pessoas” a assistir à sua obra, a “rir onde é suposto e a ficar silenciosas nas partes tensas”. Em Revenge Porn, a dupla procurou aliar o terror ao humor, para “dissipar um bocado a tensão”. “São uma espécie de uns primos estranhos, que têm uma relação interessante”, defende.

No ano anterior, já haviam participado na vertente YORN microCURTAS do festival, arrecadando o segundo lugar do pódio, no meio de “centenas” de participações.

O escsiano escreve, realiza e trata, muitas vezes, da edição dos seus trabalhos.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

Contos e BD

Para além de ver o seu trabalho reconhecido no ramo do audiovisual, Guilherme é, também, autor de contos e de banda desenhada. “Tentáculos” foi o primeiro trabalho publicado, em 2007, na coletânea Contos de Terror do Homem-Peixe, após ser distinguido com uma menção honrosa no MOTELX. “É um conto do qual eu me orgulho muito e que releio e gosto”, refere.

O escsiano escreveu, ainda, “Letes” (Um Rio de Contos, 2010), “Valente” (Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, 2011), “Taxidermia” (Lisboa no Ano 2000, 2012), “O Excelso Elixir do Dr. Manaia” (Almanaque Steampunk 2017, 2017) e a banda desenhada “Nidra” (Jankenpon, 2017), em parceria com a ilustradora Mignon.

Trabalhar em game design

Guilherme começou a sua carreira de game designer, em 2011, na empresa portuguesa Biodroid, na qual esteve três anos. Em 2015, integrou a equipa da Miniclip, onde trabalha até ao momento.

Guilherme trabalha, atualmente, como game designer na Miniclip.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

“Um game designer acaba por ser o escritor ou o realizador do jogo. Ou seja, é a pessoa que pensa nas regras [e] que diz como é que o jogo deve de ser”, esclarece o escsiano. Por isso, grande parte do seu trabalho passa pela realização de documentos “claros e concisos” e de maquetas de como considera que “devem de ser os ecrãs do jogo, como é que este se deve comportar e pensar nos comportamentos dos jogadores e nos menus que aparecem”.

Atualmente, o antigo estudante encontra-se a trabalhar numa divisão da Tencent, uma empresa chinesa (oitava maior do mundo) da qual a Miniclip faz parte. “O nosso trabalho é ver quais são os jogos que têm potencial dentro do mercado ocidental [e] trabalhar em conjunto com as equipas da China”, de forma a adaptá-los, não só a nível linguístico como a nível estético e cultural.

Cimentar conhecimento

Guilherme defende que teve, na Escola, uma “experiência muito completa”. Nas aulas adquiriu as bases teóricas e práticas que lhe permitiram “cimentar conhecimento” nas atividades extracurriculares. O escsiano recorda as unidades curriculares, “desde Semiótica a Análise Económica”, que “enriquecem bastante”, para além das matérias específicas do curso, como os laboratórios onde pôde adquirir competências ao nível do audiovisual, realização, edição e fotografia.

Guilherme considera que as atividades extracurriculares são importantes para os estudantes darem a conhecer o seu trabalho.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

“Acho que todos os trabalhos que tive foram por causa da ESCS”, diz, divertido. O antigo estudante enfatiza o fato de a instituição ter um “ambiente propício” para os estudantes se mostrarem e darem a conhecer. “É uma forma de encontrares as pessoas que são relevantes e que te acompanham para o resto da vida. Muitas vezes, o trabalho surge porque alguém se lembra de que tu existes”, reflete.

Por fim, desafiámos Guilherme Trindade a responder a uma espécie de Questionário de Proust:

Um objeto essencial para o teu dia-a-dia.
Telemóvel.

Uma música ou uma banda.
Childish Gambino.

Uma cidade ou um país.
Londres.

Um livro ou um escritor.
The Chapo Guide to Revolution: A Manifesto Against Logic, Facts, and Reason, de Felix Biederman, Matt Christman, Brendan James, Will Menaker e Virgil Texas (Chapo Trap House)

Um filme ou um realizador.
Um filme de que eu gostei muito, recentemente, foi o Eighth Grade, de Bo Burnham.

Um argumentista.
Dizer um é complicado, porque há vários que se destacam pelo estilo. Mas vou dizer o Robert McKee, só porque é o autor de um livro de que eu gosto muito, o Story. Ele fez um seminário [na ESCS] com esse livro e eu cheguei a entrevistá-lo.

Uma série.
Estou a ver a Daredevil, agora. Mas vou dizer a Atlanta, também.

Um conteúdo que tenhas desenvolvido.
A série Appaixonados.

Televisão ou game design.
Televisão.

Quando for grande, quero ser.
Livre.


Continuar a ler

ESCS FM

A voz que tu conheces

Current track

Nome

Artist