A opção polivalente

Written by on Novembro 23, 2018

A opção polivalente
Autor: Serviço de Comunicação da ESCS
Conteúdo retirado automaticamente da página institucional da Escola Superior de Comunicação Social
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Publicado: 23 novembro 2018

PERFIL JORN: CÁTIA BRUNO

Cátia Bruno tem vindo a traçar o seu caminho no jornalismo de imprensa, tendo já escrito para publicações nacionais e internacionais.

Após terminar a licenciatura em Jornalismo, Cátia Bruno começou a trabalhar no jornal i, passou pelo Expresso e, encontra-se, agora, a colaborar com o Observador. Ao longo deste percurso, viu, ainda, o seu trabalho difundido em diversas publicações internacionais. A escsiana explica que o que mais a cativa na profissão de jornalista é o facto de poder contactar com “realidades muito diferentes”. “Acho que nos dá uma riqueza enorme, não só a nível profissional como pessoal”, completa.

Cátia Bruno é licenciada em Jornalismo.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

A primeira opção

Quando se candidatou ao Ensino Superior, Cátia frequentava o curso científico-humanístico de Línguas e Humanidades. “O Jornalismo surgiu como uma opção muito polivalente, uma coisa que é muito versátil”, explica. Para além disso, a escrita era, também, algo que a “interessava e motivava”, pelo que não via “outra opção em que [se] pudesse encaixar melhor”. Na sequência da sua pesquisa, encontrou a ESCS. “Achei que a componente prática era muito interessante e, portanto, foi a minha primeira escolha e correu bem”, considera.

No decorrer da licenciatura, percebeu que a Escola passa, aos estudantes, um “espírito de fazer e de pôr as mãos na massa que é muito valioso”. Para além desta vertente, destaca, ainda, o facto de as turmas serem pequenas, o que incentiva à participação. “Quando entrei, era muito pouco participativa, e, hoje, percebo que isso não é positivo para um jornalista. Mas percebo, também, que esse caminho foi sendo feito ao longo do curso. E isso é parte do espírito da ESCS”, conta.

O curso de Jornalismo foi a primeira opção de Cátia, na candidatura ao Ensino Superior.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

A escsiana recorda, especificamente, a primeira aula da unidade curricular de Ética e Deontologia do Jornalismo, com o jornalista Oscar Mascarenhas (que faleceu em 2015), contando que ficou “automaticamente marcada” quando, ao apresentar-se, disse que achava que não ia arranjar emprego na área, deixando o professor “ofendidíssimo”. Contudo, hoje, olha para trás e entende a perspetiva do docente. “Temos de nos atirar com vontade para as coisas e eu acho que ele tentava muito passar esse espírito aos alunos”, refere. O jornalista procurava, também, que os estudantes refletissem sobre o que “os outros já escreveram e fizeram”, o que, segundo a antiga estudante, “faz muita falta”. “Apesar de uma péssima primeira impressão, acho que, depois, as coisas correram melhor e guardei isso como uma lição valiosa”, conclui.

Jornalismo na vertente extracurricular

Durante a licenciatura, a escsiana aproveitou as atividades extracurriculares para ir praticando o que aprendia no curso. Cátia fez parte da equipa que deu início à ESCS MAGAZINE, contribuindo para o primeiro número da revista, e colaborou com o E2, como repórter.

A jovem defende que estes núcleos ajudam “a criar um desenrascanço e uma capacidade de lidar com as coisas no terreno”, contribuindo para atenuar o “choque” da chegada a uma redação. “Acho que é uma mais-valia muito grande poder chegar e não ser completamente estranho. Como é que isto se faz, como é que eu falo com as pessoas, qual é a ordem das coisas”, reflete.

Percurso profissional

Quando terminou o curso, em 2011, Cátia começou a trabalhar na secção de Desporto do jornal i, onde esteve durante dois anos. Apesar de não ser a temática em que se sentia mais à vontade, considera que foi “uma experiência muito interessante”. A escsiana esteve encarregue da área de Modalidades e pôde “sair em reportagem, entrevistar pessoas interessantíssimas e fazer uma série de coisas que, se calhar, noutra secção ou noutro jornal, não teria o mesmo espaço e a mesma oportunidade”.

O grupo de jovens jornalistas do Foreign Correspondents’ Programme, do qual Cátia fez parte, com o então Primeiro-Ministro da Finlândia Jyrki Katainen.
Fotografia gentilmente cedida com Cátia Bruno.

Em 2013, foi selecionada para integrar o Foreign Correspondents’ Programme, um programa para jovens jornalistas, na Finlândia, com “pessoas de quase 30 países diferentes”. O objetivo da iniciativa, promovida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros finlandês, era dar a conhecer o país, fornecendo uma rede de contactos que pudesse ser usada, posteriormente, pelos profissionais. Para tal, o grupo teve encontros com pessoas de relevo, como políticos (entre eles, o Primeiro-Ministro finlandês), historiadores e músicos, e pôde passar um fim-de-semana com uma família, para conhecer, de perto, os hábitos e costumes do povo. “A rede que criei, não só na Finlândia, mas, também, com todos os outros jornalistas ainda hoje é muito valiosa”, conclui.

Após esta experiência, a antiga estudante propôs um trabalho ao Expresso, relacionado com a Finlândia, a propósito das Eleições Europeias. A partir daqui, começou a colaborar mais regularmente com a publicação, até ser convidada para integrar a equipa, da qual fez parte durante três anos. “O programa acabou por ser determinante, porque fez com que eu mudasse a minha agulha para o Internacional, que era o que me interessava mais e onde eu me sentia mais à vontade, e entrasse num jornal maior”, considera.

O dia-a-dia no Observador

No Observador, a escsiana escreve, essencialmente, sobre assuntos internacionais.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

Cátia é, atualmente, jornalista no Observador. Apesar de trabalhar, essencialmente, questões internacionais, sempre que é necessário, dedica-se, também, a outros temas.

Quando está a trabalhar numa reportagem internacional, os dias são passados na redação, entres pesquisas e marcação de entrevistas, para incluir na peça. No caso dos assuntos nacionais, tem de sair para entrevistar as figuras pessoalmente. Um dia por semana, encarrega-se, ainda, das breaking news. “Temos de estar mais em cima do acontecimento e produzir as notícias, para libertar o resto da redação para os trabalhos mais a fundo, com tempo e cabeça. E esperar que, no dia a seguir, alguém nos liberte a nós”, conta.

Trabalhos além-fronteiras

Ao longo do seu percurso como jornalista, Cátia teve a oportunidade de ser correspondente dos meios de comunicação pelos quais passou em diferentes pontos do globo, como a Polónia (a propósito da relação fronteiriça entre a Polónia e a Rússia, em 2015), a Pensilvânia (cobertura do primeiro aniversário da eleição de Donald Trump, em 2017) ou a Tailândia (resgate das crianças que ficaram presas numa gruta, em 2018). De todos os trabalhos que realizou, a escsiana destaca a reportagem em Atenas, no âmbito da crise económica da Grécia (2017). Durante um ano, seguiu, diariamente, o que se estava a passar no país, tentando “arranjar ângulos interessantes e mostrar as coisas de forma diferente”. “Ao fim desse tempo, poder ter, finalmente, a oportunidade de conhecer de perto aquilo de que eu estava a falar foi uma experiência muito interessante”, considera.

A antiga estudante já foi correspondente em diferentes países e viu, também, o seu trabalho difundido em meios de comunicação internacionais.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

Nos momentos em que esteve “desempregada ou numa situação mais precária”, a escsiana não ficou parada e aproveitou o tempo livre para fazer outro tipo de trabalhos, que propôs a publicações internacionais. Até ao momento, já viu textos seus publicados no The New York Times, GlobalPostEU Observer, entre outros.

A realidade escsiana

A escsiana leva boas recordações da Escola.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

“Aquela ideia da componente prática não é mito, é real”, começa por defender Cátia, salientando a “maneira de aprender a fazer” na ESCS, que é “diferente e mais orgânica”. A antiga estudante sublinha a importância desta questão na chegada ao mercado de trabalho, contando que, numa redação, é, muitas vezes, notória a diferença entre os estagiários formados pela Escola e pelas outras instituições. “Têm um conjunto de ferramentas que aprenderam a dominar, pelo menos, na base, que os outros licenciados na área nem sempre têm”, conclui.

Por fim, desafiámos Cátia Bruno a responder a uma espécie de Questionário de Proust:

Um objeto essencial para o teu dia-a-dia.
Telemóvel.

Uma música ou uma banda.
Arcade Fire.

Um livro ou um escritor.
São muitos, mas eu gosto muito do escritor Jonathan Franzen.

Um filme ou um realizador.
Woody Allen.

Uma série.
The Americans.

Papel ou digital.
No mundo ideal, o digital serve para o que é mais imediato e o papel para os trabalhos mais de folgo. Acho que é o complemente perfeito.

Redação ou exterior.
Exterior.

Uma referência profissional.
A jornalista Rukmini Callimachi, que é jornalista do The New York Times e escreve sobre o Estado Islâmico. É incrível naquilo que faz!

Quando for grande, quero ser.
Uma pessoa completa.


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