PSD ao lado do CDS na moção de censura ao Governo de Costa

Written by on Fevereiro 23, 2019

PSD ao lado do CDS na moção de censura ao Governo de Costa
Autor: ESCS Magazine
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O chumbo da moção de censura está assegurado, já que os parceiros de esquerda do governo garantiram que vão votar contra. Rui Rio assume posição de força à direita.

O PSD (Partido Social Democrata) anunciou que vai apoiar a moção de censura lançada pelo CDS-PP (Partido Popular). Numa entrevista à rádio Renascença, o vice-presidente dos sociais democratas, David Justino, anunciou: “Não tem muito sentido nós estarmos, por um lado, a dizer que estamos contra o Governo, por outro, estarmos a fazer oposição e, por outro lado, não secundar a posição do CDS. Muito provavelmente a posição que vamos tomar é precisamente a de votar a favor da moção do CDS”, justificou David Justino. O grupo parlamentar social democrata assumiu que a sua posição não terá grande efeito, dado que o chumbo da moção está assegurado, mas que o governo “merece uma censura pelo trabalho que está a fazer”. Tal como o PSD referiu, a moção de censura tem o chumbo assegurado, dado que o partido comunista e os verdes garantiram que vão votar contra. O Bloco de esquerda indicou posição semelhante, o que impossibilita uma maioria no parlamento que aprovasse a moção e precipitasse a queda do executivo socialista.

A tomada de posição do PSD é vista como uma necessidade de afirmação de Rui Rio perante Assunção Cristas – líder do CDS – e de distanciamento para com o governo de António Costa. Recorde-se de que recentemente o líder dos sociais democratas foi posto em causa por Luís Montenegro, que pretendia a sua destituição e uma mudança de rumo no partido, com uma posição mais vincada à direita. A menos de um ano das eleições legislativas, o PSD vai fazendo o possível para não deixar escapar os votos à direita para o CDS ou mesmo para o recém-criado movimento Aliança, liderado por Pedro Santana Lopes. Por outro lado, esforça-se por tentar obter o máximo de votos ao centro, tradicionalmente disputado pelos dois maiores partidos portugueses, o PS (Partido Socialista) e o PSD, que, em regra geral, é determinante para definir o vencedor das legislativas.

Esta tomada de decisão junta-se a uma afirmação de Manuel Castro Almeida, um dos homens fortes de Rui Rio, que indicou que se o PSD não vencer as eleições europeias em maio – que antecedem as legislativas – “será por culpa própria” e “incompetência”.  Castro Almeida indica: “Depende de nós. Se não o fizermos é porque somos incompetentes. Se o PSD não ganhar as eleições é por culpa própria, porque o Governo está a fazer o necessário para as perder. O Governo enganou-se no ciclo político e está em ciclo descendente”.  Acerca de uma possível coligação, no futuro, de governo com o PS, Castro Almeida foi perentório e indicou que “só em caso de guerra civil ou invasão estrangeira”, deixando claro o distanciamento entre os partidos e a posição de força do partido social democrata.

Artigo revisto por: Andreia Jesus


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