Costa já não se demite

Written by on Maio 12, 2019

Costa já não se demite
Autor: ESCS Magazine
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Primeiro Ministro arriscou com o ultimato aos deputados, mas saiu a vencer: Não só o seu governo sai reforçado, como a subida nas sondagens se vai notar. Geringonça sai fragilizada.  Direita “deu um tiro no pé” e o partido Aliança, de Pedro Santana Lopes, pode capitalizar parte do eleitorado do CDS e PSD.

O texto final que reconhecia a recuperação da contagem integral do tempo das carreiras congeladas dos professores foi chumbado por PS, PSD e CDS-PP. A favor votaram o PCP, BE e PEV. O PAN ficou-se pela abstenção. A votação surge após uma semana quente, politicamente falando, com o governo de António Costa a acenar com a demissão em caso de aprovação do documento sobre os professores. PSD e CDS, que inicialmente tinham votado a favor da medida na comissão especializada, voltaram atrás na sua decisão. Os partidos de direita acabaram por ver a imagem que passam para os contribuintes de “partidos responsáveis no âmbito financeiro” seriamente afetada nesta última semana.

Do lado do Governo, António Costa apressou-se a declarar a vitória. O primeiro-ministro indicou que em discussão estava a aprovação de um documento que colocaria em causa a “continuação da recuperação” de Portugal bem como a sua “imagem externa”. Costa indicou que “os portugueses ficaram perplexos com as votações do PSD e do CDS em comissão” e com “as explicações que foram dadas ao longo da semana”.

Fonte: DinheiroVivo, foto de Reinaldo Santos, Global Imagens

Com esta vitória na Assembleia, o governo sai reforçado e deixa imaculada a imagem que manteve nos últimos 4 anos de uma governação que deu sempre prioridade às contas públicas. A medida, impopular para a maioria dos portugueses – segundo a eurosondagem apenas 21% dos inquiridos, num universo de 1005 entrevistas válidas, apoiava a recuperação integral da carreira dos professores -, pode ajudar o executivo nas europeias, já que nas últimas semanas o PSD se tem aproximado do Partido Socialista nas intenções de voto.

Do lado da Geringonça, a votação mostra as dificuldades que se anteveem para uma coligação nas próximas legislativas, dado que as sondagens apontam para uma vitória do PS, mas longe da maioria absoluta.

À direita, CDS e PSD vão ter dificuldades em explicar os acontecimentos da última semana ao seu habitual eleitorado. O partido Aliança, na voz do seu líder, Pedro Santana Lopes, indicou antes da votação que a “direita tinha casado com a extrema esquerda” e que foi “irresponsável”.

Com a não aprovação do documento na Assembleia, os professores mantêm a progressão das suas carreiras em 2 anos, 4 meses e 18 dias, referente ao período entre 2011 e 2017. Garantida, para já, está a continuação da luta dos docentes, e, com o fim das aulas à vista, já foram anunciadas greves às avaliações finais.

Fonte fotografia “thumbnail”: Expresso, Foto de António Cotrim, LUSA

Revisto por Ana Roquete


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