Crescente falta de especialistas em pediatria leva responsáveis a querer sair. Prometido plano de reforço não estará a ser cumprido.

Os chefes de equipa de urgência do hospital pediátrico Dona Estefânia, em Lisboa, anunciaram hoje a sua demissão devido ao incumprimento de um plano do conselho de administração que previa a contratação faseada de médicos especialistas.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, visitou esta manhã a unidade hospitalar e esteve reunido com os médicos que se demitiram.

Os clínicos que saem não têm sido substituídos, o que levou os médicos a denunciarem situações de “falta de recursos humanos, exaustão, desmotivação dos profissionais e milhares de horas de urgência realizadas para além da escala legal”.

A Ordem dos Médicos afirma que a primeira urgência exclusivamente pediátrica do país enfrenta graves e complexos problemas. O hospital Dona Estefânia é um dos poucos que tem o seu foco apenas na saúde de crianças e adolescentes, o que o torna o único com essas características na região de Lisboa e em toda a região Sul.

Destacando a falta de investimentos e a falta grave de recursos humanos no Serviço Nacional de Saúde, Miguel Guimarães sublinha que a situação no Dona Estefânia é a terceira de elevada gravidade em pouco tempo nos hospitais do Centro Hospitalar de Lisboa Central – uma vez que recentemente existiram problemas no Hospital de São José e na Maternidade Alfredo da Costa.

Artigo corrigido por Rita Serra