Bairro a Bairro – Arco do Cego

Written by on Junho 4, 2018

Bairro a Bairro – Arco do Cego
Autor: 8.ª Colina
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O ex-bairro social para onde se vai socializar

Começou por ser um bairro social, mas hoje em dia é um dos locais mais escolhidos pelos jovens que desejam beber cervejas com os amigos ao final do dia. Se é principalmente daí que lhe vem a fama atualmente, o bairro desta edição já foi capa de jornais aquando da sua fundação por aquilo que representava – um empreendimento de resposta aos problemas sociais no Estado Novo. Começou a ser construído em 1918 e foi inaugurado oficialmente em 1935. Dentro das suas fronteiras, acolhe a Culturgest, o Arquivo do Arco do Cego, a Imprensa Nacional Casa da Moeda e a Escola Secundária Filipa de Lencastre. Curiosamente, o local mais conhecido deste bairro – o jardim – está fora dos seus limites mais rígidos. No Bairro do Arco do Cego, se do arco já não há vestígios, do cego não há sequer registo.

A batalha de Alvalade trouxe-nos até ao Bairro do Arco do Cego. É aqui que se encontra instalado o monumento que evoca o processo de negociação levado a cabo pela rainha Santa Isabel. Na lápide pode-se ler: “Santa Isabel, rainha de Portugal, mandou colocar este padrão neste lugar em memória da pacificação que nele se fez entre seu marido, el-rei D. Dinis, e seu filho, D. Afonso IV, estando para se darem batalha, na era de 1323”. A placa, que já esteve noutras zonas da cidade, fazia parte de um padrão de maiores dimensões. Hoje em dia, está instalada nos jardins da Culturgest, espaço cultural da Caixa Geral de Depósitos. As obras para a construção da nova sede do banco começaram em 1987 e terminaram em 1994. As fundações do edifício escondem um sarcófago que foi enterrado com o auto do lançamento da primeira pedra das obras.

No bairro situa-se também o Arquivo do Arco do Cego. Ali encontra-se documentação produzida entre os 1630 e 2002.

O liceu D. Filipa de Lencastre – atualmente chamado escola secundária – foi a segunda escola para raparigas da capital. O edifício está classificado como Monumento de Interesse Público. Durante os primeiros anos do Estado Novo, este foi um dos poucos equipamentos do bairro. Para além do liceu, na época, existiam apenas duas escolas primárias, o arquivo municipal e uma esquadra da polícia.

Projeto da 1.ª República e símbolo do Estado Novo, o Bairro do Arco do Cego funcionou durante os primeiros anos como um bairro social. Para dar resposta à chegada das populações vindas do campo, as habitações abandonadas (quintas, palácios, etc.) deram lugar a alojamentos coletivos, destinados a várias famílias.

Há precisamente 100 anos, um decreto-lei – datado de 24 de abril de 1918 – regulava as condições de construção do edificado. Era preciso garantir que as habitações tinham iluminação, limpeza semelhante aos outros, fontes e lavadouros. A Casa da Moeda é considerada o mais antigo estabelecimento fabril do país, existindo desde o século XIII. Ao longo da sua história, esteve situada em diferentes pontos da cidade, até se ter instalado no edifício atual, em 1941.
Tradicionalmente responsável pela cunhagem da moeda, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda tem hoje em dia também a função de produzir documentos de identificação e segurança, como o cartão do cidadão, e publicações oficiais do Estado, de que é exemplo o Diário da República.

Embora atualmente algumas das ruas desta zona da cidade tenham muita atividade comercial, em 1938 o bairro contava apenas com sete estabelecimentos: três mercearias, uma leitaria, uma casa de chá, um talho e uma papelaria.

Mesmo no limite das fronteiras do bairro está o jardim do Arco do Cego. Este espaço verde foi inaugurado em 2005 e reabilitado em 2017. Hoje em dia, é uma referência no que toca à mobilidade: o piso é plano, sem desníveis entre os diferentes tipos de chão (relva, passeio e calçada) e os caminhos são amplos.

Estudantes de toda a cidade – e até de fora de Lisboa – ocupam o jardim, principalmente a partir do meio da tarde.

Os novos utilizadores deste espaço verde têm sido motivo de queixa para os moradores, quer pelo barulho que fazem, quer pelo lixo que deixam no recinto.

O jardim do Arco do Cego surgiu na sequência da saída das instalações da Carris. O antigo edifício de tijolo onde antes funcionavam as oficinas e o terminal dos autocarros deu ainda lugar a um parque de estacionamento para carros.

É precisamente a nova localização do terminal que nos guia até à próxima edição: Sete Rios.


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